outubro 31, 2010

se eu fizesse? (XI)

(Cláudia): Vou para o carro enquanto espero pela...puxa, o telemóvel a tocar, quem será? Olha não podia ser boa, é a Ivone...
Cláudia:
- Ivone, estava a pensar em ti, mas diz.
Ivone:
- Olha, o trânsito está terrível. Vou demorar.
Cláudia:
- E tens alguma coisa combinada? Não dá para vires?
Ivone:
- Não, não tenho nada combinado.
Cláudia:
- Ah... então eu espero. Estou dentro do carro.
Ivone:
- Mas há algum problema?
Cláudia:
- Não, quer dizer...não sei. Depois falamos vá, deixa-te de conversas e vem.
(Cáudia): Ainda não estou em mim. O que me havia de acontecer e o como está a acontecer. Pior ainda...quem és tu?
Autêntica declaração de amor...
Posso desconfiar do Fernando, pelas suas bobagens. Posso desconfiar do Thomáz, afinal anda todo o dia comigo, não sei... primeiro dia, tão pouco tempo.
Qualquer um deles tem tido oportunidades de deixar estes... meu Deus, como vou chamar? Declarações? E são declarações, Cláudia.
O Fernando pode fazê-lo, aproveitando o eu andar com o Thomáz. O Thomáz, também teve momentos sem mim, poucos, mas teve. Quando fui à casa de banho, só aí demorei bastante depois, o departamento de vendas. Houve tempo suficiente para o Thomáz o fazer. Ah... mas não tinha tempo para alterar o ambiente de trabalho do PC. Ahhh... e agora me lembro, minha nossa, o Fernando queria falar comigo. Nunca mais me lembrei e ele também não me ligou... UUhhhh, porrinha. Ai a minha cabeça, ando completamente fora de mim. É o andar com o Thomáz e estes...bolas, estes quê? Bem, agora não vale a pena pensar. Amanhã, quando chegar, será a primeira coisa a fazer. Ligo para para o Fernando, peço desculpa e disfarço, usando o Thomáz. Digo-lhe que estava presa nos papéis e explicava ao Thomáz. Bem, e é a verdade. É... ele não me vai dizer nada.
Cláudia... toma tino nessa cabeça. Não é o trabalho que te anda a pôr assim, são as declaraç... nossa, o telemóvel a tocar.
Cláudia:
- Estou, Ivone? Diz.
Ivone:
- Mais 15 minutos.
Cáudia:
- Tá, eu estou no carro. Olha, está estacionado no parque e mesmo em frente ao café.
Ivone:
- Tá.
(Cáudia): Mas que confusão que vai na minha cabeça.
Bom... uma coisa é certa, quem o faz... sabe fazê-lo. Aquece o coração de uma mulher. Eu só gostava de saber quem é.
Há momentos em que gostava de ser uma mosca e estar poisada sem que ninguém me visse. Assim, já não estava nesta aflição.
Bem, isto vai ter um fim, só não sei qual e quando. Mas, e... e será que ele me vê, a ler o que me escreve? Será que eu olhando em redor, poderei estar a vê-lo? Ahh... que sussstooo.
Cláudia:
- Ai Sr. Segurança... dessa maneira? Bater no vidro do carro, assim pos...
Segurança:
- Calma D. Cláudia. Vá, acalme-se que sou eu.
Cláudia:
- Pois, agora vejo que é o senhor. Faça-me outra e eu morro.
Segurança:
- Nossa, D. Cláudia. Não é caso para tanto.
Cláudia:
- Diz o senhor, ponha-se no meu lugar e eu quero ver. Mas, há algum problema?
Segurança:
- Não sei se é problema. Afinal, a D. Cláudia está no carro, já deve ter visto.
(Cláudia): Pedrinha... ???
Cláudia:
- Mas visto o quê?
Segurança:
- Atrás do seu carro, o que está atrás do seu carro.
Cláudia:
- Atrás do meu car...
Aiii homem... saia-me da frente.
(Cáudia): Não...Não...
Segurança:
- Sente-se bem D. Cláudia? Não me diga que não tinha visto?
Cáudia:
- Não, não tinha visto!
Eu saí pela porta de serviço e fui direita ao café. Quando vim para o carro, venho de frente e...
não dá para ver o que está atrás do carro.
(Cláudia): Mas o que é isto, Cláudia???
Cláudia:
- Está a rir-se?
Segurança:
- Peço desculpa, D Cláudia. Vou ali para a porta, para o meu posto. Peço desculpa, julguei que já sabia. Boa noite, D. Cláudia.
Cláudia:
- Diga? Si...
Boa noite...
(Cáudia): Mas... Ai, não sei que dizer. Como foi esta? Se não está escondido... não estou a ver ninguém por perto.


Mais uma declaração. Tudo pintalgado, tenho de limpar...rápido, até o segurança me gozou. E a flor, que lhe faço??? Vais responder... Pedrinha?

(foto: Net, Arranjo: sérgio figueiredo)

outubro 18, 2010

se eu fizesse? (X)

Cláudia:
- Bom... Thomáz, as apresentações estão feitas. Penso não ter esquecido nada nem ninguém, claro, menos quem está ausente, mas tudo que havia para conhecer, foi revelado. Agora, vem o mais importante. Toda a nossa atenção vai ser determinante aqui, no nosso departamento.
Temos de ser rápidos, por outro lado, demore o tempo que precisar para ficar, tanto quanto possível, o mais esclarecido, não deixando as dúvidas consigo. Perguntas... faça-mas quantas quiser.
Thomáz:
- Cláudia, para já quero agradecer a sua entrega, admiro o seu profissionalismo. Quanto ás perguntas, sabe que irão ser muitas, mas sei que compreende e posso contar consigo. Estou confiante. O Fernando ficará contente connosco, o departamento vai funcionar como ele quer.
Cláudia:
- Então vamos a isto.
Thomáz:
- Cláudia, se não for pedir muito, deixa-me ir buscar um cafézinho?
Cláudia:
- Claro.
Thomáz:
- Sabe, o café liberta-me deste nervoso. Quer um para si?
Cláudia:
- Para mim não, obrigado, e não há motivo para estar nervoso. Tem competência para assumir o que lhe é pedido. Olhe... as horas passam sem dar-mos por elas e já falta pouco para terminar este dia. Prepare-se para o amanhã, mas até lá... trate de descontrair.
Tomáz:
- Ehhh... tem razão. Nem se dá pelo tempo. Vou mesmo arranjar maneira para descontrair.
E a Cláudia? Ah... Desculpe a pergunta.
Cláudia:
- Não faz mal. Não sou de formalismos, como já deve ter visto.
Hoje, saio daqui meto-me no carro e vou jantar com uma amiga. Fazemos muitas vezes isto, é já um hábito nosso. Moramos as duas sózinhas e assim, olhe, é como disse, descomprimir... e hoje bem preciso.
Thomáz:
- Está estoirada, por minha causa?
Cláudia:
- Ahh... não diga isso. São outras coisas, nada consigo, Thomáz.
Bem, já lhe dei essas pastas e aí pode ver os nossos fornededores. É importante começar a ver com quem nos relacionamos e o peso que cada um tem para nós. Aqui, no departamento, o nosso trabalho é a relação da empresa com eles.
Thomáz:
- Nomes de grandes empresas. Revela a importância da nossa.
Cláudia:
- Thomáz? Hora de sair. Amanhã começará a ser mais pesado. Vá... e deite fora esses nervos.
Thomáz:
- Sim, e a Cláudia?
Cláudia:
- Não vou demorar. Vou só enviar um mail e corro até à porta de saída.
Thomáz:
- Tem a certeza? Não precisa de qualquer ajuda?
Cláudia:
- Até amanhã... fuja daqui que está na hora.
Thomáz:
- Bom, se assim é... até amanhã, Cláudia.
Cláudia:
- Até amanhã, Thomáz.
(Cláudia): Bem, vamos lá. É só enviar este mail, ir à casa de banho e vou aliviar a minha cabeça. Hoje foram muitas emoções.
Pronto... está tudo. Ahh... a chave do carro? Já cá ficava.
Ora... já nem me lembro onde o estaci... está ali. O comando e... vamos embora. Oh... um papelinho na porta. Lá vêm os compradores de carros, ou os astrólogos... deixa ver.

Passeava por caminhos do nada
e uma voz, subitamente, suava.
Não percebia o que dizia,
mas senti que cantava
e encantava.
Olhei...Olhei
e cego continuei.
Cada vez mais perto,
cada vez mais alta.
Algo me estava em falta
e começava a doer.
Continuava alta e eu,
sem nada ver.
No ar, um perfume
e dentro de mim, só lume.
Cada vez mais perto,
cada vez mais alta.
O perfume em mim se entranhava
e eu, cansado,
nem sei onde...
descansava.
É aí que sinto,
beijando o meu ouvido,
já num tom gemido,
uma voz a sussurrar-me.
Queria dizer...
amar-me,
sentir as minhas mãos tocar-lhe.
Virei-me e uma flor... vi.
Inclinou-se, de novo,
ao meu ouvido e disse-me...
Fica comigo,
sou tua,
ou leva-me contigo.
.
DIZ-ME QUE ÉS TU, CLÁUDIA
QUE NÃO FOI UM SONHO
.
(Cláudia): Telemóvel, onde estás? Encontrei... atende vá. Amiga? Vem ter comigo. Estou à porta da empresa. Não perguntes nada e vem... rápido. Aiii...
Pedrinha... e tu?
.

outubro 11, 2010

se eu fizesse? (IX)

Fernando:
- Cláudia, que se passa, sente-se bem?
Desculpe dizê-lo, mas está mais branca que a cal da parede.
Cláudia:
- Não...Nada de preocupante. Apenas uma pequena indisposição.
Fernando:
- Mas quer que a leve a algum lado?
Cláudia:
- Claro que não. Logo, logo, já passou. Obrigado
Fernando:
- Bem...não faça cerimónias e se precisar...diga-me.
Thomáz:
- Cláudia, escuso de dizer que estou ao dispôr. Sabe isso, certo?
Cláudia:
- Obrigado Thomáz. Assim que começar a comer o rodízio, humm... logo sou outra.
Fernando:
- E não podia ser melhor. Aí vem ele.
Bem... o melhor é tirar o casaco e atirar-me a ele.
(Cláudia): Não nego que o cheirinho convida e a minha barriga, apesar de tudo, dá sinais de vazia.
Fernando:
- Thomáz... o aspecto, já lhe diz alguma coisa?
Thomáz:
- O aspecto e o cheiro.
Fernando:
- Cláudia, que diz?
Cláudia:
- Sim. Combina com a fome que sinto.
Fernando:
- Então... Bom apetite e vamos a isto.
Ah...Cláudia, mandei vir tintinho. Está bem para si?
Cláudia:
- Óptimo.
Thomáz:
- Maravilhoso.
Fernando:
- Não percebi Thomáz.
Thomáz:
- Estava a dizer que está maravilhoso.
Fernando:
- Eu não lhe disse que a nossa "Claudinha" brilhava nas escolhas.
Cláudia...então?
Cláudia:
- Está tudo bem. Caíu o garfo, peço já outro.
(Cláudia): "Claudinha"... ???
Fernando:
- Thomáz, embora não querendo falar de trabalho, neste momento, como está a reagir com o que já conhece?
Corte-me mais uma fatiazinha dessa, se faz favor.
Isso... está bom. Obrigado
Thomáz:
- Fernando, claro que numa manhã, muito pouco. Apenas me permite observar, para já, a estrutura física e "potencial" organização da empresa. Os vários departamentos, os colegas e suas funções. Preciso de mais tempo, claro, para começar a familiarizar-me com a empresa no seu todo.
Fernando:
- Sem dúvida, mas...a Claudinha? Está a deixá-lo tranquilo, quanto ao que queremos de si, ou são mais as dúvidas que... hummm, este rodízio está óptimo, não acham?
Estou é a vê-lo, a si e à Claudinha, com os copos vazios. Com licença, deixem-me dar cor aos vossos copos.
Cláudia:
- Fernandooo... chega, isso já é muito.
(Cláudia): "Claudinha", outra vez. Bom, mas é preferível só o "Claudinha", que depressa esquece, do que ir por aí fora com outras piores. Assim está bem...só trabalho.
Thomáz:
- De facto, está divinal.
Fernando:
- O quê? A Cláudia ou o almoço?
(Cláudia): Pronto... não se pode elogiar. Aí está o Fernando com as dele...
Thomáz:
- Olhe, pegando nas suas palavras... a Cláudia e o almoço.
(Cláudia): Outro...
Fernando:
- E se pedíssemos mais uma dose...ou duas?
Thomáz:
- Por mim, não podia estar melhor do que estou.
Cláudia:
- E para mim, já foi abusar.
Fernando:
- Eu também estou bem, mas se vocês alinhassem...eu não recusava mais um pouco. Ahh... mas agora a sobremesa e cá está mais uma coisa que deixo nas mãos da Cláudia. Humm...mais doce que ela será difícil encont... Então Cláudia, outra vez engasgada?
Cláudia:
- É...simm, desta vez engasguei.
(Cáudia): Era inevitável. Aí está o Fernando com as dele. Só gostava de saber porquê? Ele nunca se demonstrou assim comigo. Aí estão os suores...não sei se é do vinho ou o Fernando. Acho que vou à casa de banho.
Cláudia:
- Fernando, antes de irmos vou, rapidinho, ao wc.
Thomáz:
- Está mal disposta, Cláudia?
Cláudia:
- Não, não... é só para ir aliviada.
(Cláudia): Lavo a boca, refresco a cara...será que eu ando a exagerar, a valorizar demais as "babuseiras" do Fernando? Será para dar a entender ao Thomás, o seu ar brincalhão? E tu, pedrinha... não me dizes nada? Continuas com o teu brilho, o teu cheirinho, o teu encanto que me acalma, mas... não é isso que sinto. Aiii...Deixa-me ir.
Fernando:
- Sente-se bem, Cláudia?
Cláudia:
- Muito melhor, sem dúvida.
Fernando:
- Nota-se, na sua cor.
(Cláudia): Aiii... e tráz a sua mão ao meu queixo, virando a minha cara para o Thomáz. Que dor de barrigaaa...
Thomáz:
- Muito mais rosadinha. Então vamos?
(Cláudia): Uiii... querem ver que é já aqui que faço? Vá, Cláudia, massaja a barriga, tenta acalmar-te... Bem, vou aguentar e nem demoro mais.
Cláudia:
- Estou pronta.
(Cláudia): Chegámos. Agora é que vou à casa de banho.
Cláudia:
- Thomáz, vou só à casa de banho e quando vier, vamos ver os dois departamentos que faltam.
Thomáz:
- Certo. Ahh...não esconda. Noto que algo está a mexer consigo, só não quis dizer junto do Fernando.
Cláudia:
- A mexer comigo... como assim?
Já falamos. Eu não demoro.
(Cláudia): Mau... agora o Thomáz? Não, é apenas simpatia. Ele mal me conhece. Vá...vá... deixa de pensar Cláudia.
Thomáz:
- Então... melhor?
Cláudia:
- Sim. Vou só ver se tenho algum mail importante e seguimos. Não podemos abrandar.
Ai meu Deus... mas...
Thomáz:
- Cláudia?
(Cláudia): O que é isto??? Quem mexeu no meu PC? Ahh, alteraram o ambiente de trabalho ...




Não...não...não. Isto não é verdade... Quem és tu? E tu... pedrinha, diz-me... porquê? Quem é este "desconhecido", que me persegue?
Thomáz:
- Cláudia... algum problema?
.
(foto, arranjos e poema: sérgio figueiredo)

setembro 26, 2010

se eu fizesse? (VIII)

Cláudia:
- Vou só buscar o casaco.
(Cáudia): Pedrinha... vamos e que acabe depressa. Entretanto deixa-me guardar esta carta dentro da mala. Ainda não estou em mim.
Fernando:
- Estamos prontos? Vamos embora? Thomáz, já lhe deram o carro da empresa?
Thomáz:
- Sim... sim, já o tenho Fernando.
Fernando:
- Óptimo. Então vamos no seu carro.
Thomáz:
- É aquele que está ali.
Fernando:
- Eu vou atrás.
Cláudia:
- Fernando, nem pense nisso. Vai à frente com o Thomáz.
Fernando:
- Cláudia, não é escolha, é palavra de chefe. Vá... vamos lá. Thomáz, o carro só tem um contra, tem duas portas.
Thomáz:
- Bem, agora têm de me dizer para onde vamos.
Fernando:
- Ahh... hoje vou deixar à escolha da Cláudia. Eu sei que ela brilha com as suas escolhas.
Cláudia:
- Sr.director...Fer, Fernando, não me faça isso. O senhor é que decide.
Fernando:
- E está decidido. A Cláudia é que sabe onde vamos almoçar. Posso ajudá-la um pouco... Hoje, alinhava num bom Rodízio de carne. Que dizem?
Thomáz:
- O Fernando manda, parece-me bem. Só preciso de saber onde e qual o caminho.
Fernando:
- Cláudia, não está pelo Rodízio? Está tão calada, prefere o de peixe?
(Cláudia): Porquê... porquê eu? Pedrinha, não te estou a sentir aliás, nada em mim eu estou a sentir. Quem diria que ia ter um começo de semana assim? Ontem, andámos tão bem. Eras tu e eu, naquele "templo" de aragem pura, caminhando descalça naquela areia, humedecida pelas ondas daquele mar bravio e sentin...
Fernando:
- Cláudia??? Estamos à espera.
Cláudia:
- Desculpem. Sr. Fernando não me ocorre... não sei, talvez aquele no cais junto ao par...
Fernando:
- Ahh... Já sei. Excelente escolha Cláudia. Eu não lhe disse Thomáz? A Cláudia brilha. Vamos embora Thomáz. Por ali... aquela estrada à direita depois, na primeira à direita, outra vez, e por fim, sempre em frente.
(Cláudia): Desta safei-me, Ufff...
Fernando:
- Então, foi assim tão difícil, Cláudia? A Cláudia surpreende-me todos os dias. É ou não é Thomáz? A nossa Cláudia vale ouro.
Thomáz:
- De facto, só numa manhã, companhia e simpatia...
Fernando:
- Thomáz, é aquele ali. Agora é ver lugar para o carro.
Thomáz:
- Que tal ali, onde está a sair aquele? Até fica à porta.
Fernando:
- Ora vamos lá saborear um magnifíco rodízio de carne.
(Cláudia): Ahh... deixa-me sair e respirar. Oxalá o Fernando escolha mesa no varandim. Estou demasiado quente para ficar no interior.
Thomáz:
- Agradável, não conhecia.
Fernando:
- Ohh... ainda vai ver mais. Não é Cláudia?
(Cláudia): Mas que grande enigma. De quem será esta carta? Só pode ser de alg...
Fernando:
- Não é Cláudia? Cláudia??? Huumm... hoje está diferente. Algum problema?
Cláudia:
- Desculpe Fernando, não ouvi.
Fernando:
- Thomáz, você fez algum mal à Cláudia?
Thomáz:
- Fernando... como me atrevia?
Fernando:
- A nossa Cláudia está, quer dizer, não está cá.
Cláudia:
- Fernando, enquanto escolhe a mesa, vou à casinha.
(Cláudia): Deixa-me pendurar ali o casaco e vou refrescar-me. Ai... só espero que o Fernando escolha uma mesa no varandim. Hoje não estou para almoços...nem no refeitório da empresa. De quem será esta carta? Bem...vamos lá.
Fernando:
- Está bem aqui Cláudia? Tem de estar, já me sentei.
(Cláudia): Eu sabia. Tinha de ser cá dentro. Bem, mas não está quase ninguém. Lá fora está mais gente.
Cláudia:
- Sim, Fernando. Para mim qualquer lugar serve.
Thomáz:
- Bem, nem vale a pena ver a ementa?
Fernando:
- Ver pode ver, mas já está escolhido. Cláudia, hoje está coradinha. Já sei... ontem andou a passear com o Sol, foi?
Cláudia:
- Por acaso foi. Desculpem, vou só buscar os meus lenços de papel ao casaco.
(Cláudia): Bem, começam as perguntas e eu mais corada que as carnes grelhadas. Ah... não estão aqui, devem estar na mala... espera, já encontrei. Não, é um papel...

A madrugada se vai vestindo,
de luz e movimento.
Meu coração aguarda,
na janela,
o ansiado momento.
Bate...
chorando lágrimas de sangue,
colorindo de vermelho
as pedras da calçada.
Desenhando a passerelle,
pronta para ser usada,
apenas,
com teu caminhar,
pela tua passada.
És leveza, suavidade
e teu perfume,
que escorre pelo teu corpo,
mo deixas,
soubesses tu, que com ele alimentas
o amor que ferve comigo,
esperando o dia que estarei contigo.
...
.
Sabes Cláudia...
(Comprei um caderno onde vivem, apenas,
linhas vazias.
Aguardam, cada uma, cada folha, palavras minhas,
retratos do meu coração.
São para ti...
desde o dia que te conheci.)
.
(Cláudia): Aiiii... PEDRINHA, por favor... PEDRINHA, está a acontecer desde que te tenho comigo. Foi na gaveta e agora, no casaco. Estou perdida e sem ninguém que eu possa desconfiar.
.
(poema: sérgio figueiredo)

setembro 20, 2010

se eu fizesse? (VII)

Cláudia:
- Thomáz, temos, apenas, dois departamentos para o apresentar e dar-lhe a conhecer. Que acha? Estamos perto da hora do almoço, eu tinha pensado em fazer toda esta parte das apresentações de manhã, mas talvez seja confuso para si. Se parasse-mos e logo a seguir ao almoço, fácilmente se fazia e depois era só no nosso?
Thomáz:
- A Cláudia manda e eu faço. Parece-me bem, parar um pouco e fazer como diz, agora... não me trate por você.
(Cláudia): Ai...ai...Será que vem mais alguma coisa ou o Thomáz fica por aqui?
Cláudia:
- É, fazemos assim e o pouco tempo, até ao almoço, o Thomáz vai-se...vais-te "entretendo" a ver uns papeis, uns documentos.
Thomáz:
- Vamos a isso.
Cláudia:
- Thomáz, então é assim. Estas três pastas são como que um diá...
Thomáz:
-Huumm...Desculpa Cáudia, mas tens um cheirinho bom. Que perfume é?
(Cláudia): Não...não acredito.
Cláudia:
- Nem sei, tenho vários e não reparei qual deles usei.
Dizia: São como que um diário. Assuntos resolvidos e prontos a serem assinados pelo Sr. director. Estã.....
Thomáz:
- Olha que o director não gosta que o trates assim.
(Cáudia): Santo Deus. Outra interrupção e eu, o tema principal. Que voltas que sinto na minha barriga... Casa de banho, para descarregares e refrescares a cara.
Cláudia:
- Tens razão Thomáz, ainda não me habituei. Como eu dizia, as pastas estão, como podes ver, por assunto. Umas são sobre situações, simples, com os fornecedores outras, têm a ver com pagamentos aos fornecedores e só, nada mais se mistura. Esta terceira... Não, para já ficam essas duas.
Ficas já a conhecer alguns fornecedores da empresa. Atenção... apenas para ires dando uma vista de olhos. Não te esforces em fixar. Isso será aos poucos.
Entretanto aproveito e vou ao departamento de vendas. Eles têm muito a mania de deixar para o fim, determinados papeis e depois, somos nós, aqui, que levamos na cabeça. Fica à vontade.
(Cláudia): Safa-te, vai à casa de banho, aliviar, refrescares-te. Ai minha "pedrinha" só tu podes avaliar o estado em que me encontro.
Ahh... sente, sente a minha cara, a minha pele, o meu peito, estou a pedir-te demais? Vá, dá-me a tua companhia, dá-me de ti o muito que puderes, humedece meus lábios. Só tu me tens valido. Bom, vamos lá. Primeiro o departamento de vendas. Faço o que tenho a fazer, dou dois dedos de conversa e... bolas, faltam 15 minutos para o almoço. Lá vou eu a correr para o departamento e dar atenção ao Thomáz.
Cláudia:
- Então Tomáz, demorei muito tempo?
Thomáz:
- Nem dei por ele. Estou aqui a ver o que me deixaste.
Cláudia:
- E não apareceu ninguém?
Thomáz:
- Ninguém
Cláudia:
- Ópti.....
Thomáz:
- Ahh...telefonou o director para lhe ligares.
(Cláudia): Que será desta? Bem, deixa-me ligar.
Cláudia:
- Sim Fernando, ligou para mim, diga.
Fernando:
- Cláudia, tem alguma coisa combinada para o almoço?
Cláudia:
- Não, vou ao refeitório.
Fernando:
- Não, não vai. Vamos almoçar fora com o Thomáz. É o primeiro dia dele, vamos mostrar a nossa simpatia e falar com ele, mais em particular. Esperem aí no gabinete que eu não demoro.
(Cláudia): Bolas, "pior?" Não me podia acontecer.
Aiii... esta vinda do Thomáz, está a pôr-me que nem eu me conheço.
Cláudia:
- Thomáz, vamos almoçar com o Fernando. Não tinhas nada combinado?
Thomáz:
- Não. Até estava à tua espera para me orientares.
Cláudia:
- Pronto, então vamo-nos preparando.
(Cláudia): Ai... o quanto me custa, já tenho as pernas a tremerem. Mas porquê?
Concentra-te Cláudia. Vou já tirar da gaveta as coisas que vou levar... o que é isto, um envelope? Sem qualquer nome...nada. Vou abrir, está aqui é para mim.

Sonhei-te a meu lado
e contigo vivia.
Olhava a tua boca e sentia,
o quanto me dizia,
falava
e a minha se calava.
Louco te procurava,
louco te amava.
Minha boca selou,
quando te encontrou.
Tua boca se calou
e meu coração te
gritou...
Aqui estou...
.
(Cláudia): PEDRINHA... Parece que tenho lume nas mãos. A minha cabeça deixou de pensar, não sei que dizer...ou se quero dizer alguma coisa.
Thomáz:
- Cláudia...Cláudia, está aqui o Fernando, vamos.
Cláudia:
- Va...mos? Onde?
.
(poema: sérgio figueiredo)

setembro 14, 2010

se eu fizesse? (VI)

Cláudia:
- Não Sr. Director, não sou casada.
Director:
- Então Cláudia, o que combinámos?
Cláudia:
- Desculpe, Sr. Direc… Fernando.
(Cáudia): Mantenho as mãos, suadas, trémulas, debaixo da mesa e em cima das minhas pernas, esfregando-as.
Director:
- Não me diga que também é divorciada?
Cláudia:
- Não, não sou... Fernando.
(Cláudia): digam-me quando é que isto acaba. Acho que não vou aguentar com tanta pergunta. Que é que eu faço?
Fernando:
- E esta thomáz? A nossa Cláudia também é solteirinha. Bom, vou deixá-los a sós e... Cláudia, trate bem do Thomáz. Olhe que eu quero-o bem preparado para ver se damos uma volta naquele departamento. Vamos ver se é agora que o lugar fica preenchido.
Cláudia:
- Sim Sr...Fernando.
(Cláudia): Caíu-me o coração ao pés. Eu não aguentava nem mais um minuto.
Thomáz:
- Cláudia, sente-se bem?
Cláudia:
- Sim Thomáz, estou bem. Acho que o café não me caíu bem, mas passa.
(Cláudia): Levanto-me, pego na minha chávena e na do Thomáz mas…
Thomáz :
- Que está a fazer Cláudia?
Cláudia:
- Vou só pôr as chávenas no tabuleiro de sujos.
Thomáz:
- Nada disso, eu levo.
(Cláudia): Bem, esta apresentação tem de acabar da parte da manhã. É suposto, depois do almoço, começar a parte prática, mexer nos papéis e a referenciar a nossa função na empresa, no departamento.
Percorrendo, então, os corredores, eis que à saída do departamento de pessoal, damos de caras, novamente, com o director e, logo de imediato me diz.
Fernando:
- Cláudia, ainda bem que a vejo. Esqueci de lhe dizer que, aí por volta das 18 horas, vá ao meu gabinete. Quero falar um pouco consigo. Deixe o Thomáz a tomar conhecimento de alguma papelada e vá ter comigo.
(Cláudia): Estou encostada à parede, quase sem respirar. Não há motivo, ele é meu patrão e quer falar de trabalho. Estou a tentar convencer-me disso mas...não consigo, é mais forte. Tenho a cabeça a ferver, não paro de imaginar o que ainda não aconteceu. Mas…não aconteceu o quê, Cláudia?
Porquê, porquê este meu estado, porque reajo assim, viver imaginando? E o que é que eu estou a imaginar? Nada…ou estou?
Ai… tenho o Thomáz à minha espera. Não posso demonstrar esta minha aflição, esta minha insegurança, perturbação. Tenho de esconder esta cara, de certeza bem vermelha, porque quente...está ela. Mostrar ao Thomáz a Cláudia, segura e zelosa, no meu trabalho.
Thomáz:
- Ohh…lá…lá, o director não pára de a “requisitar”. Temos aqui um fraquinho à vista? A Cláudia desculpe-me.

(Cláudia): Pedrinha, estás comigo? És tudo o que eu quero agora. Não consigo dizer uma palavra. Dá-me, dá-me a tua frescura, a tua paz. Ajuda-me a raciocinar, a acalmar.
Pedrinha, que se passa comigo?
.

setembro 05, 2010

se eu fizesse? (V)

(Cláudia): Que me lembre, é a primeira vez que estou à mesa na companhia do meu director.
A conversa está a ser muito profissional, digamos que o Director está, também, a dar alguma “formação” ao Thomáz.
Escuto, quero sentir o que me possa estar a escapar ou o que possa aprender. Bom... mas no meio disto, sinto-me como alguém que está a mais nesta mesa. A conversa está entre os dois e eu, com a sensação de não existir, nem sequer me olham. Por uma lado, que bom, mas por outro, esquisita esta sensação. Ás vezes não me entendo.
Estou cada vez mais nervosa, incomodada. Agora sim, acho que bebia mais um café. Estou com o desejo enorme de ficar sozinha, de ir para a minha secretária. Preciso respirar, acalmar, estar no meu cantinho.
Director:
- Thomáz, que diz da nossa Cláudia?
(Cláudia): Valha-me Deus. Passei a personagem principal da conversa. Os dois a falarem de mim e agora, a observarem-me fixamente.
Thomáz:
- Muito eficiente, sabedora e está a ser uma óptima professora.
(Cláudia): Ambos Sorriem e eu também, embora, pela força dos nervos..
Director:
-Ó Thomáz... e bonita, não acha? Cláudia sabe que o Thomáz é licenciado em Gestão?
Cláudia:
- Não Sr. Director. Ainda não sabia.
Director:
- Fernando... Cláudia, Fernando.
Cláudia:
- Tem razão… Fernando.
Director:
- E também deve ser um bom rapaz. É solteiro.
(Cláudia): O Director sorri e eu, cada vez mais nervosa e sem saber para onde olhar. Que raiva… porque é que ainda aqui estou?
Thomáz:
- Fernando... divorciado. Sou divorciado.
Director:
- Ah…é a mesma coisa. Ó Cláudia, até parece mal, mas já que estamos nesta, é casada?
(Cláudia): Pronto…agora já nem consigo fugir. Fiquei colada à cadeira. A minha pedrinha? Nem a sinto, de tão gelada e suada e não é só a mão, sou toda eu.

E eles, com seus olhos em mim, à espera da minha resposta…Pedrinha???
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