janeiro 07, 2011

se eu fizesse? (XV)

(Cláudia): Bem, a Ivone foi embora e eu... e eu, que vou fazer? Nada!
São as horas que são e o melhor a fazer é ir para a cama. Quero dormir e ver se, enquanto durmo, deixo de sentir o turbilhão que vai na minha cabeça. O problema é que não tenho sono, esta situação está difícil de se despegar.
A Ivone não me ajudou em nada... ou ajudou?
Aquela ideia maluca, que só podia ser da Ivone, de escrever aquele poema e colocá-lo num sitio onde ele me tenha deixado as declarações dele...
As declarações dele... dele, aiii... Cláudia, dele quem? O telemóvel, a esta hora? Estou?
Ivone:
- Cláudia, já começaste a escrever?
Cláudia:
- Não acredito!
Tu estás a telefonar-me a esta hora para me falares sobre isso?
Ivone:
- Eheheheh... Cláudia, faz o que eu te digo. Arranja um papelinho, bonitinho, de preferência cor-de-rosa, borrifa-o com o teu charme, um perfuminho desses teus, o mais sedutor, escreve umas palavrinhas ternurentas e junta-lhe o meu poema. Vais ver que...
Cláudia:
- Ivone, tu estás a gastar dinheiro do telemóvel só para me azucrinares a cabeça, e a esta hora?
Onde é que tu andas?
Ivone:
- A caminho de casa. Onde pensavas tu que eu andava? Á procura do teu apaixonado? Olha que não me importava nada de ...
Cláudia:
- Ivone, até amanhã. Ah... vou desligar o telemóvel, não vá dar-te alguma e ligares outra vez, para me tirares do sono.
(Cláudia): Só desta louca. Bem, vou para a cama, ver se me desligo disto tudo. Aiii... Ivone, só tu... Por Ivone, onde é que eu deixei o poema que ela fez? Está aqui, no meu bolso.
Uiii... está frio. Deixa-me tapar bem tapadinha e ver se durmo. Ahhhh...




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Que horas são? Um quarto para as quatro? Nossa, são estas horas e eu não consigo dormir, está bonito. Vou beber um copo de leite, talvez ajude.
Se eu fosse na conversa da Ivone, o que será que podia acontecer quando ele visse que eu estava a alinhar neste "jogo" dele? Só poderei saber... ai...ai...
.
perfumas-me em segredo,
com o aroma das ondas de cetim.
enches-me, preenches-me,
provocas-me sensações e desejo.
será que te quero ver, ou assim permanecer?
na indecisão, continuo com estes calores,
que escaldam todo meu corpo
de vibrações... e louco prazer.
.
Como é que ele reagia se apanhasse um papelinho destes, escrito por mim?
Vou dar voz à Ivone? E onde irei colocar o papelinho?
Bom, a Ivone tem razão, tem de ser num sitio discreto, fora do alcance de qualquer um.
Olha o show que isto dava nas mãos dos, e das, colegas.
O melhor lugar talvez fosse na porta do meu carro. Ele já utilizou e pode voltar a fazê-lo.
Aiii... quase cinco da manhã, vou para a cama. Olha, a "pedrinha" ficou aqui na mesa.
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dezembro 27, 2010

se eu fizesse? (XIV)

Ivone:
- Olha, minha amiga, estás num beco sem saída.
A única coisa que te posso dizer, mas que em nada te ajudará, é que Deus dá nozes a quem não tem dentes. Aiii... porque não tenho eu um D. Juan como este?
Cláudia:
- Ivone... tu sabes o que estás para aí a dizer?
Queres dizer que se isto estivesse a acontecer contigo, andavas para aí toda excitada agarradinha aos papéis, a contar a toda a gente, aos pulos feita uma doida, toda cheia de amores, sem sequer te preocupares, um pouco, que seja?
Quanto mais não fosse, para saberes quem era o "D. Juan"?
Ivone:
- Cláudia, e tu vais-me dizer que isto não mexe nada contigo?
Que estas declarações de amor valem tanto para ti, ou menos, que os papéis a que estás agarrada, todos os dias, no trabalho?
Cláudia:
- Ivone, mexe, mexe mas com um sentir diferente do que tu estás para aí a fantasiar, e mais, já agora, esses papéis, aqueles a que estou agarrada todos os dias no...
Ivone:
- Minha querida, não digas mais. Blá...blá...blá... já sei, vais dizer que é graças a eles que tens dinheirinho ao fim do mês? É, tens razão...os outros não são nada.
Cláudia, não sejas parvinha. Eu também sou mulher, sei o que se sente. Olha, "os papéis", como lhes chamas, uns dão-te o dinheirinho, e estes? Cala-te, porque a mim... estes, causam-me um formigueiro no corpo, e não me são dirigidos.
Cláudia:
- Estás de todo. Definitivamente, se fosse contigo, andavas na boa e não te preocupavas em saber quem era? Recebias as declar...
Ivone:
- Amiga, e tu a dares-lhe. Quem quer que seja, mais dia menos dia, ou não resiste e apareçe ou, sem querer, vai ser denunciado, descai-se. Até lá, minha abençoada mal agradecida, huumm...vai lendo e sentindo. Entra na fantasia, como dizes que faço.
Olha...veio-me uma ideia. Cláudia, ouve isto: Porque não alinhas, de mansinho, arranjas uma maneira, sei lá, um sítio secreto, só teu e dele, e vais respondendo aos "papelinhos"? Tipo caixinha de correio...?
Cláudia:
- Ivone??? Tu sabes o que estás a dizer? Tens a mínima noção do que isso representa?
Tu não podes estar boa da cabeça. Achas que eu sou alguma doidivanas? Que alinho em qualquer converse-ta, assim, sem conhecer a pessoa, e mesmo que conheça, é logo andar "prá- frente" e pronto, vam...
Ivone:
- Cláudia, cala-te e olha esta. Começavas assim, agora...jááá. Alicia-o, respondendo, e vê como ele reage. Enquanto para aí falavas, que nem te liguei nenhuma, "trabalhei" para ti... lê.
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Não sei quem possas ser,
por outro lado... já és "um Sol nascer".
Os teus raios me impedem de ver,
e o meu corpo começa a ceder.
Quem me toca, o que me faz ferver?
O que está a acontecer?
Quem és, e o que me queres fazer?
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Gostastes... que dizes? Com esta era como se...se... olha, era como se pegasses nesta pedra e lhe...
Cláudia:
- Quietaaa... e dá-me a minha "pedrinha...".
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dezembro 22, 2010

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novembro 30, 2010

se eu fizesse? (XIII)

Cláudia:
- É assim que tem sido o meu dia.
Para além de estar a dar formação ao Thomáz, sempre que regresso ao meu posto de trabalho tenho uma surpresa... perturbante.
Ivone:
- De facto, não posso dizer que seja normal. Que tens motivos para estares nesse estado, mas o mais intrigante, ...
Cláudia:
- É, é alguém meu colega, se é o que vais dizer. Isso é a única certeza que tenho, e daqueles que são do meu núcleo de amizade mais chegado. Daqueles que me conhecem bem, com quem partilho "palavras que são letras minhas", mas quem? Não são muitos, mas são alguns e é isso que me perturba. Em nenhum deles, se evidencia um "tique" que me faça desconfiar.
Ivone:
- É, é mesmo uma situação estranha, mas apaixonante po...
Cláudia:
- Ivone? cala-te, pára de gozar comigo. Assim não me ajudas, não alivias a minha angústia.
Ivone:
- Pronto, pronto... acalma-te.
Diz-me uma coisa... Por acaso esse grupo de amigos, são só... os amigos, aqueles, aqueles... "os", ou também "as"?
Cláudia:
- Nem quero acreditar. Estás doida de todo, parvinha é o que és. Estás a perguntar-me se isto não poderá ser obra de uma... nãooo, não acredito no que oiço. Decididamente, estás mesmo a brincar comigo. Só me faltava essa, serem coisas de uma amiga que se apaixonou por mim. Uma mulher, haa... ai, tem juízo Ivone, queres mesmo aborrecer-me?
Ivone:
- Porque não? É assim tão estranho?
Cláudia:
- Ivone, tás louca? Tu sabes o que estás a dizer?
Ivone:
- Não é nada do outro mundo. É???
A loiça está na máquina, agora vou sacudir a toalha.
Cláudia:
- Pára, deixa lá a toalha e senta-te, mas sem babuseiras senão... senão corro contigo.
Ivone:
- Sim, vai falando que eu oiço. É já aqui na varanda, ninguém vê... olha, os putos na rua, é que andam a brincar contigo. Toma, uma bolinha de papel que estava ali. De papel, mas pesada.
Cláudia:
- Alguma pedra, e capaz de me partir um vidro. Deixa lá ver o que é este peso.
Ivone:
- Coitada, como tu estás. Agora já vês pedras embrulhadas em papel.
Olha, em que gaveta arrumo a toalha? Cláudia, oonnnde arruuummmo a toalha? Olha lá...
Cláudia:
- Olha? Então "Olha" tu... lê, lê e diz-me se ainda falta muito para a meia-noite, ou se o dia ainda está para durar e as dedicatórias a continuarem.
Ivone:
- Pois... Provávelmente o apaixonado não dorme. Que sorte a tua, aiii... deixa ver.
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"Sem o teu calor, a tua companhia…
sou maré vazia.
Tudo que nela vivia, desaparecia,
não se sentia, nada mais existia.
Só Tu, és o rosto da sua alegria,
que em toda ela se via, a preenchia.
.
Dá a Ti, uma gota pensante.
Chama-me com esse teu semblante,
apaixonante,
onde me vejo teu amante…
Acariciando-te,
com a suavidade que o teu corpo me conjuga…
desejando-te.
Louco, envolvendo-te,
explorando-te incessantemente,
dando cor ao teu olhar, cativante,
brilhante,
que expressa o teu desejo que eu me liberte...
desta vazante,
dizendo-me…
Sim, sê meu amante".
.
Huuaauuu...Cláudia.
Mas... e pronto, que raio, mas lá estás tu agarrada a essa "pedrinha".
Afinal que pedra é essa que está sempre contigo? A que estava na varanda não serve?
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P.S. Vou-me esforçando para vos comentar. Por enquanto, só vos visito e leio. É o que vos posso oferecer. Não se aborreçam, compensarei.

novembro 14, 2010

se eu fizesse? (XII)

Ivone:
- Cláudia, que se passa? De joelhos, na rua, a fazer o quê?
Cláudia:
- Ai Ivone, desesperada com o que me anda a acontecer. Vê, ainda não limpei tudo e percebe-se do que falo. Tem sido todo o dia, de várias maneiras.
Ivone:
- Mas, estás a dizer-me que alguém se... não, declaração de Amor? Eu conheço, é aqui da empresa?
Cláudia:
- Se mo disseres tu, eu agradeço. Deixa-me só acabar de limpar isto e já vamos falar.
Ivone:
- "A Flor...? Guarda-a e sente o meu amor". Huumm...
Cláudia:
- Ivone por acaso não estás a gozar comigo não?
Quando te contar tudo, eu quero ver o que vais dizer.
Ivone:
- Amiga, claro que não te estou a gozar. Est...
Cláudia:
- Pára... deixa-me ver se consigo disfarçar isto e já vamos conversar com mais calma se é que conseguirei estar calma.
Ivone:
- Pronto...pronto eu espero. Não stresses.
Ohh... a Flor desprezada em cima do carro. Aiii... que cheirinho bom e não é da flor. É perfume de homem e olha que só este cheiro... até a mim me deixa doida.
Cláudia:
- Decididamente não deixas de me gozar.
Ivone:
- Ok... eu calo-me, mas olha que não retiro uma letra ao que disse.
Cláudia:
- Finalmente... está disfarçado. Pelo menos já não se vê a escandaleira que aqui estava.
Ivone:
- Ingrata... Já me calei outra vez.
(Cláudia): Agora? Bem, vou pedir ao segurança que me deixe ir à casa de banho. Nahh...o melhor é ir para casa e tomar um bom banho. Isso...
Cláudia:
- Ivone, vamos para minha casa fazemos qualquer coisa para comermos e falamos com mais pormenor. Achas bem?
Ivone:
- Minha querida, excitada como estou, tu é que mandas. Eu quero é saber tudo.
Cláudia:
- Então vamos, levamos os dois carros porque, hoje, já não quero sair de casa. Quero descansar, sossegar esta cabeça.
Ivone:
- Minha querida, huum... ainda não sei de nada, mas a tua cabecinha ferve.
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Cláudia:
- Bom, vou tomar um duche rápido. Faz o que quiseres enquanto esperas. Vai ao frigo e come...
não, podias ir adiantando e ías pondo a mesa, mas come sim.
(Cláudia): Ahh... que bom. Só este duche... vamos ver se recomponho esta cabeça. Ainda não consigo assimilar o que anda a acontecer. Estou a ficar paranóica, mas uma coisa sei... é alguém da empresa. O inacreditável é não conseguir associar uma pequena desconfiança e isso... ahh que bom este duche. Se não fosse ter a Ivone, bem que ficava aqui.
Ivone:
- Bolas, ía ver se tinhas adormecido na banheira.
Vá...vá, começa a dar à língua.
Cláudia:
- Deixa pelo menos ver o que vamos fazer para comer.
Ivone:
- Não é preciso, já bisbilhotei o frigorifico e já tenho uma lasanha no forno. Pode ser? Não vale a pena dizeres que não... já está. Talvez uma salada para acompanhar... Puxa Cláudia, começa a falar e deixa o comer. Olha... não é para mim, mas acho que já esgotei o cheirinho da flor, tantas são as vezes que a cheiro.
Cláudia:
- Para ficares já a fazer uma ideia, são bilhetes com poemas, é a flor, mas essa já conheces e, esta nem vais acreditar...
Ivone:
- Conta, conta que eu estou a ficar em choque. Caraças... eu não tenho a tua sorte.
Cláudia:
- Acreditas que este, este... este incógnito foi ao ponto de alterar o fundo do ambiente de trabalho do meu PC e...
Ivone:
- Ai a lasanha... bolas.
Cláudia, ainda tens fome? Eu já dispensava... estou sem tempo para comer, quero ouvir-te. Continuaaa... mulher, estás mesmo lentinha de todo.
Cláudia:
- Calma, dá-me tempo para... Ivone, ou queres saber tudo em pormenor ou...
Ivone:
- Ok, entendi. Olha, a lasanha está pronta, vamos comer.
Pareceu-me ouvir o teu telemóvel.
Cláudia:
- Deve ser a minha mãe. Vai-te servindo que eu não demoro.
Ivone:
- Tá, mas despacha-te. Estou a ver, por este andar, que hoje já não fico a saber mais nada.
Cláudia:
- É...? Tens a certeza? Então lê essa mensagem... tomaaa, segura no telemóvel e lê.
Ivone:
-
"A noite só é bonita...
iluminada pelo teu corpo.
É...És a estrela que mais brilha,
mostrando que o céu não está morto.
Vagueio nesse "espaço"... com vida
e anseio beijar-te numa loucura... desmedida.
Acariciar esse brilho... sedutor,
sentir a tua pele, o teu calor...
e ferver...
envolvendo-te com o meu Amor..."
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Está anónimo, o número.
Cláud...
Cláudia... Que estás a fazer? Aí sentada, com essa cara e a beijar essa Pedrinha?
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P.S. Peço desculpa a todos os Amigos que me visitam, pela ausência da minha retribuição. A saúde trai-nos, como expresso no meu blogue da Bipolaridade. É em esforço que actualizo este blogue, mas é a minha "terapia" e tinha de o fazer.

outubro 31, 2010

se eu fizesse? (XI)

(Cláudia): Vou para o carro enquanto espero pela...puxa, o telemóvel a tocar, quem será? Olha não podia ser boa, é a Ivone...
Cláudia:
- Ivone, estava a pensar em ti, mas diz.
Ivone:
- Olha, o trânsito está terrível. Vou demorar.
Cláudia:
- E tens alguma coisa combinada? Não dá para vires?
Ivone:
- Não, não tenho nada combinado.
Cláudia:
- Ah... então eu espero. Estou dentro do carro.
Ivone:
- Mas há algum problema?
Cláudia:
- Não, quer dizer...não sei. Depois falamos vá, deixa-te de conversas e vem.
(Cáudia): Ainda não estou em mim. O que me havia de acontecer e o como está a acontecer. Pior ainda...quem és tu?
Autêntica declaração de amor...
Posso desconfiar do Fernando, pelas suas bobagens. Posso desconfiar do Thomáz, afinal anda todo o dia comigo, não sei... primeiro dia, tão pouco tempo.
Qualquer um deles tem tido oportunidades de deixar estes... meu Deus, como vou chamar? Declarações? E são declarações, Cláudia.
O Fernando pode fazê-lo, aproveitando o eu andar com o Thomáz. O Thomáz, também teve momentos sem mim, poucos, mas teve. Quando fui à casa de banho, só aí demorei bastante depois, o departamento de vendas. Houve tempo suficiente para o Thomáz o fazer. Ah... mas não tinha tempo para alterar o ambiente de trabalho do PC. Ahhh... e agora me lembro, minha nossa, o Fernando queria falar comigo. Nunca mais me lembrei e ele também não me ligou... UUhhhh, porrinha. Ai a minha cabeça, ando completamente fora de mim. É o andar com o Thomáz e estes...bolas, estes quê? Bem, agora não vale a pena pensar. Amanhã, quando chegar, será a primeira coisa a fazer. Ligo para para o Fernando, peço desculpa e disfarço, usando o Thomáz. Digo-lhe que estava presa nos papéis e explicava ao Thomáz. Bem, e é a verdade. É... ele não me vai dizer nada.
Cláudia... toma tino nessa cabeça. Não é o trabalho que te anda a pôr assim, são as declaraç... nossa, o telemóvel a tocar.
Cláudia:
- Estou, Ivone? Diz.
Ivone:
- Mais 15 minutos.
Cáudia:
- Tá, eu estou no carro. Olha, está estacionado no parque e mesmo em frente ao café.
Ivone:
- Tá.
(Cáudia): Mas que confusão que vai na minha cabeça.
Bom... uma coisa é certa, quem o faz... sabe fazê-lo. Aquece o coração de uma mulher. Eu só gostava de saber quem é.
Há momentos em que gostava de ser uma mosca e estar poisada sem que ninguém me visse. Assim, já não estava nesta aflição.
Bem, isto vai ter um fim, só não sei qual e quando. Mas, e... e será que ele me vê, a ler o que me escreve? Será que eu olhando em redor, poderei estar a vê-lo? Ahh... que sussstooo.
Cláudia:
- Ai Sr. Segurança... dessa maneira? Bater no vidro do carro, assim pos...
Segurança:
- Calma D. Cláudia. Vá, acalme-se que sou eu.
Cláudia:
- Pois, agora vejo que é o senhor. Faça-me outra e eu morro.
Segurança:
- Nossa, D. Cláudia. Não é caso para tanto.
Cláudia:
- Diz o senhor, ponha-se no meu lugar e eu quero ver. Mas, há algum problema?
Segurança:
- Não sei se é problema. Afinal, a D. Cláudia está no carro, já deve ter visto.
(Cláudia): Pedrinha... ???
Cláudia:
- Mas visto o quê?
Segurança:
- Atrás do seu carro, o que está atrás do seu carro.
Cláudia:
- Atrás do meu car...
Aiii homem... saia-me da frente.
(Cáudia): Não...Não...
Segurança:
- Sente-se bem D. Cláudia? Não me diga que não tinha visto?
Cáudia:
- Não, não tinha visto!
Eu saí pela porta de serviço e fui direita ao café. Quando vim para o carro, venho de frente e...
não dá para ver o que está atrás do carro.
(Cláudia): Mas o que é isto, Cláudia???
Cláudia:
- Está a rir-se?
Segurança:
- Peço desculpa, D Cláudia. Vou ali para a porta, para o meu posto. Peço desculpa, julguei que já sabia. Boa noite, D. Cláudia.
Cláudia:
- Diga? Si...
Boa noite...
(Cáudia): Mas... Ai, não sei que dizer. Como foi esta? Se não está escondido... não estou a ver ninguém por perto.


Mais uma declaração. Tudo pintalgado, tenho de limpar...rápido, até o segurança me gozou. E a flor, que lhe faço??? Vais responder... Pedrinha?

(foto: Net, Arranjo: sérgio figueiredo)

outubro 18, 2010

se eu fizesse? (X)

Cláudia:
- Bom... Thomáz, as apresentações estão feitas. Penso não ter esquecido nada nem ninguém, claro, menos quem está ausente, mas tudo que havia para conhecer, foi revelado. Agora, vem o mais importante. Toda a nossa atenção vai ser determinante aqui, no nosso departamento.
Temos de ser rápidos, por outro lado, demore o tempo que precisar para ficar, tanto quanto possível, o mais esclarecido, não deixando as dúvidas consigo. Perguntas... faça-mas quantas quiser.
Thomáz:
- Cláudia, para já quero agradecer a sua entrega, admiro o seu profissionalismo. Quanto ás perguntas, sabe que irão ser muitas, mas sei que compreende e posso contar consigo. Estou confiante. O Fernando ficará contente connosco, o departamento vai funcionar como ele quer.
Cláudia:
- Então vamos a isto.
Thomáz:
- Cláudia, se não for pedir muito, deixa-me ir buscar um cafézinho?
Cláudia:
- Claro.
Thomáz:
- Sabe, o café liberta-me deste nervoso. Quer um para si?
Cláudia:
- Para mim não, obrigado, e não há motivo para estar nervoso. Tem competência para assumir o que lhe é pedido. Olhe... as horas passam sem dar-mos por elas e já falta pouco para terminar este dia. Prepare-se para o amanhã, mas até lá... trate de descontrair.
Tomáz:
- Ehhh... tem razão. Nem se dá pelo tempo. Vou mesmo arranjar maneira para descontrair.
E a Cláudia? Ah... Desculpe a pergunta.
Cláudia:
- Não faz mal. Não sou de formalismos, como já deve ter visto.
Hoje, saio daqui meto-me no carro e vou jantar com uma amiga. Fazemos muitas vezes isto, é já um hábito nosso. Moramos as duas sózinhas e assim, olhe, é como disse, descomprimir... e hoje bem preciso.
Thomáz:
- Está estoirada, por minha causa?
Cláudia:
- Ahh... não diga isso. São outras coisas, nada consigo, Thomáz.
Bem, já lhe dei essas pastas e aí pode ver os nossos fornededores. É importante começar a ver com quem nos relacionamos e o peso que cada um tem para nós. Aqui, no departamento, o nosso trabalho é a relação da empresa com eles.
Thomáz:
- Nomes de grandes empresas. Revela a importância da nossa.
Cláudia:
- Thomáz? Hora de sair. Amanhã começará a ser mais pesado. Vá... e deite fora esses nervos.
Thomáz:
- Sim, e a Cláudia?
Cláudia:
- Não vou demorar. Vou só enviar um mail e corro até à porta de saída.
Thomáz:
- Tem a certeza? Não precisa de qualquer ajuda?
Cláudia:
- Até amanhã... fuja daqui que está na hora.
Thomáz:
- Bom, se assim é... até amanhã, Cláudia.
Cláudia:
- Até amanhã, Thomáz.
(Cláudia): Bem, vamos lá. É só enviar este mail, ir à casa de banho e vou aliviar a minha cabeça. Hoje foram muitas emoções.
Pronto... está tudo. Ahh... a chave do carro? Já cá ficava.
Ora... já nem me lembro onde o estaci... está ali. O comando e... vamos embora. Oh... um papelinho na porta. Lá vêm os compradores de carros, ou os astrólogos... deixa ver.

Passeava por caminhos do nada
e uma voz, subitamente, suava.
Não percebia o que dizia,
mas senti que cantava
e encantava.
Olhei...Olhei
e cego continuei.
Cada vez mais perto,
cada vez mais alta.
Algo me estava em falta
e começava a doer.
Continuava alta e eu,
sem nada ver.
No ar, um perfume
e dentro de mim, só lume.
Cada vez mais perto,
cada vez mais alta.
O perfume em mim se entranhava
e eu, cansado,
nem sei onde...
descansava.
É aí que sinto,
beijando o meu ouvido,
já num tom gemido,
uma voz a sussurrar-me.
Queria dizer...
amar-me,
sentir as minhas mãos tocar-lhe.
Virei-me e uma flor... vi.
Inclinou-se, de novo,
ao meu ouvido e disse-me...
Fica comigo,
sou tua,
ou leva-me contigo.
.
DIZ-ME QUE ÉS TU, CLÁUDIA
QUE NÃO FOI UM SONHO
.
(Cláudia): Telemóvel, onde estás? Encontrei... atende vá. Amiga? Vem ter comigo. Estou à porta da empresa. Não perguntes nada e vem... rápido. Aiii...
Pedrinha... e tu?
.