setembro 14, 2010

se eu fizesse? (VI)

Cláudia:
- Não Sr. Director, não sou casada.
Director:
- Então Cláudia, o que combinámos?
Cláudia:
- Desculpe, Sr. Direc… Fernando.
(Cáudia): Mantenho as mãos, suadas, trémulas, debaixo da mesa e em cima das minhas pernas, esfregando-as.
Director:
- Não me diga que também é divorciada?
Cláudia:
- Não, não sou... Fernando.
(Cláudia): digam-me quando é que isto acaba. Acho que não vou aguentar com tanta pergunta. Que é que eu faço?
Fernando:
- E esta thomáz? A nossa Cláudia também é solteirinha. Bom, vou deixá-los a sós e... Cláudia, trate bem do Thomáz. Olhe que eu quero-o bem preparado para ver se damos uma volta naquele departamento. Vamos ver se é agora que o lugar fica preenchido.
Cláudia:
- Sim Sr...Fernando.
(Cláudia): Caíu-me o coração ao pés. Eu não aguentava nem mais um minuto.
Thomáz:
- Cláudia, sente-se bem?
Cláudia:
- Sim Thomáz, estou bem. Acho que o café não me caíu bem, mas passa.
(Cláudia): Levanto-me, pego na minha chávena e na do Thomáz mas…
Thomáz :
- Que está a fazer Cláudia?
Cláudia:
- Vou só pôr as chávenas no tabuleiro de sujos.
Thomáz:
- Nada disso, eu levo.
(Cláudia): Bem, esta apresentação tem de acabar da parte da manhã. É suposto, depois do almoço, começar a parte prática, mexer nos papéis e a referenciar a nossa função na empresa, no departamento.
Percorrendo, então, os corredores, eis que à saída do departamento de pessoal, damos de caras, novamente, com o director e, logo de imediato me diz.
Fernando:
- Cláudia, ainda bem que a vejo. Esqueci de lhe dizer que, aí por volta das 18 horas, vá ao meu gabinete. Quero falar um pouco consigo. Deixe o Thomáz a tomar conhecimento de alguma papelada e vá ter comigo.
(Cláudia): Estou encostada à parede, quase sem respirar. Não há motivo, ele é meu patrão e quer falar de trabalho. Estou a tentar convencer-me disso mas...não consigo, é mais forte. Tenho a cabeça a ferver, não paro de imaginar o que ainda não aconteceu. Mas…não aconteceu o quê, Cláudia?
Porquê, porquê este meu estado, porque reajo assim, viver imaginando? E o que é que eu estou a imaginar? Nada…ou estou?
Ai… tenho o Thomáz à minha espera. Não posso demonstrar esta minha aflição, esta minha insegurança, perturbação. Tenho de esconder esta cara, de certeza bem vermelha, porque quente...está ela. Mostrar ao Thomáz a Cláudia, segura e zelosa, no meu trabalho.
Thomáz:
- Ohh…lá…lá, o director não pára de a “requisitar”. Temos aqui um fraquinho à vista? A Cláudia desculpe-me.

(Cláudia): Pedrinha, estás comigo? És tudo o que eu quero agora. Não consigo dizer uma palavra. Dá-me, dá-me a tua frescura, a tua paz. Ajuda-me a raciocinar, a acalmar.
Pedrinha, que se passa comigo?
.

9 comentários:

OutrosEncantos disse...

... onde é que eu já vi este filme?!

Sabes Sérgio, estás a contar uma história muito real nos tempos que correm, com gravissimas consequências, caso aconteça a resistência...
Preciosa essa "pedrinha".

E estás a contá-la muitissimo bem!
Beijo.

maria teresa disse...

Será que a pedrinha vai ajudá-la?
Talvez ela encontre as respostas em si própria sem necessidade de ajuda...
Abracinho

Canto da Boca disse...

Será que a "pedrinha" é uma versão da lâmpada mágica de Aladim?

;)

Baila sem peso disse...

A pedrinha mesmo escondida
continua a ser referida...
amuleto ou não
acalmará o coração...
uma dose de energia
que precisa Cláudia
na sua aflição...

esperando a continuação
fica meu carinho de afeição :)

Banalidades disse...

Ah! queapoio, o dessa pedrinha! quem ma dera na minha mão!
Obrigada pelo seu comentário; saiba que as flores preenchem o meu dia-a-dia. Toda a minha vida +e feita de coração!

Até sempre e continue a escrever pq o faz muito bem!

Sentidamente disse...

Muito bom, este enrredo que se propôs contar-nos de forma tão magistral, continuar a fluir da sua escrita para este espaço aberto à nossa partilha. Aqui nos vai deixando um pouco de vida. Daquelas que decorrem dia a dia, em algum canto deste mundo, deste país, desta cidade… Vai também abrindo uma nova fresta de cada vez, inteligente forma de deixar suspenso o fio à meada e com ela prender a curiosidade de quem o segue. Continue a brindar-nos com a sua escrita. Quando escrevemos damo-nos um pouco e ficamos mais perto e solidários, uns para com os outros. Obrigada!

JB disse...

Sérgio,
Só passei para dizer que as minhas palavras estão de regresso!!! :)
Obrigada pelo apoio e carinho que daixaste no meu cantinho. Depois virei aqui para comentar com mais calma!
Já deu para ver que o mistério da pedrinha ainda está por revelar... ainda bem! :)

Beijinho!

JB disse...

Sem dúvida, que este teu lugar já está preenchido... as tuas palavras florescem-no construindo este mar de emoções, sabores e aromas num jardim cada vez mais colorido e empolgante. A flor mais apetecida...será o segredo guardado na pedrinha cada vez mais acarinhada na mão de Cláudia... Lindo teres colocado as emoções mais frágeis (e também mais belas) nessa pedrinha... mais cúmplice do que nunca!

Que emoção! Aguardo a continuação!
Beijinho

Vieira Calado disse...

A vida traz nos a todos destas situações

Acaba em bem,

como nos filmes portugueses de antanho?

Forte abraço