setembro 05, 2010

se eu fizesse? (V)

(Cláudia): Que me lembre, é a primeira vez que estou à mesa na companhia do meu director.
A conversa está a ser muito profissional, digamos que o Director está, também, a dar alguma “formação” ao Thomáz.
Escuto, quero sentir o que me possa estar a escapar ou o que possa aprender. Bom... mas no meio disto, sinto-me como alguém que está a mais nesta mesa. A conversa está entre os dois e eu, com a sensação de não existir, nem sequer me olham. Por uma lado, que bom, mas por outro, esquisita esta sensação. Ás vezes não me entendo.
Estou cada vez mais nervosa, incomodada. Agora sim, acho que bebia mais um café. Estou com o desejo enorme de ficar sozinha, de ir para a minha secretária. Preciso respirar, acalmar, estar no meu cantinho.
Director:
- Thomáz, que diz da nossa Cláudia?
(Cláudia): Valha-me Deus. Passei a personagem principal da conversa. Os dois a falarem de mim e agora, a observarem-me fixamente.
Thomáz:
- Muito eficiente, sabedora e está a ser uma óptima professora.
(Cláudia): Ambos Sorriem e eu também, embora, pela força dos nervos..
Director:
-Ó Thomáz... e bonita, não acha? Cláudia sabe que o Thomáz é licenciado em Gestão?
Cláudia:
- Não Sr. Director. Ainda não sabia.
Director:
- Fernando... Cláudia, Fernando.
Cláudia:
- Tem razão… Fernando.
Director:
- E também deve ser um bom rapaz. É solteiro.
(Cláudia): O Director sorri e eu, cada vez mais nervosa e sem saber para onde olhar. Que raiva… porque é que ainda aqui estou?
Thomáz:
- Fernando... divorciado. Sou divorciado.
Director:
- Ah…é a mesma coisa. Ó Cláudia, até parece mal, mas já que estamos nesta, é casada?
(Cláudia): Pronto…agora já nem consigo fugir. Fiquei colada à cadeira. A minha pedrinha? Nem a sinto, de tão gelada e suada e não é só a mão, sou toda eu.

E eles, com seus olhos em mim, à espera da minha resposta…Pedrinha???
.

8 comentários:

OutrosEncantos disse...

Olá Sergio!

O Jorge Palma está neste momento a confidenciar-me que está a acabar de chegar da guerra...
... pois eu digo-te que a guerra está a acabar de chegar a Cláudia, logo hoje que esqueceu a pedrinha!...
Emocionante a tua história, muito bem escrita.
É uma história muito real e um problema muito comum e complicado de dar a volta...
Beijo.

São disse...

Interessante, interesante mesmo.

Tudo de bom.

MagyMay disse...

Li o para trás.
Conta mais... não demores.
Será, que pedrinha faz acontecer coisa boa?

(entusiasmante o conto, Parabéns!)

Um abraço, Sérgio

Fa menor disse...

Estou a gostar :)
que irá sair daqui?...

:)
Bjins

Baila sem peso disse...

Não se esqueceu da pedrinha, pois não?
Ai, que vai ser complicado...
Ou não?
Pode sempre apelar ao coração!:)
Um desenho bem elaborado
do que no fundo é
a vida que temos por aí, ao pé...
Aguardo...

Beijinhos

Vieira Calado disse...

Obrigado pelas suas palavras

no meu blog.

Bem haja!

Forte abraço

Canto da Boca disse...

Interssante o contraste que tu nos trazes, quando abordas a visbilidade versus a timidez. E a pedrinha, também protagonista da história, mais do que o amuleto, parece ser um espelho em que as respostas dadas à Cláudia, são pelo tato.

Beijo, Sérgio!

JB disse...

"A conversa está entre os dois e eu..."

Muito interessante esta expressão... É que pode não parecer mas a Cláudia está no centro dessa conversa pois a utilização do "e" de longe a deixa de fora deste precioso momento. ~
É como me sinto... dentro desta história, empolgada "e" envolvida nas tuas palavras!

Cada vez mais delicioso o savor desse café!:)

Beijinho