outubro 11, 2010

se eu fizesse? (IX)

Fernando:
- Cláudia, que se passa, sente-se bem?
Desculpe dizê-lo, mas está mais branca que a cal da parede.
Cláudia:
- Não...Nada de preocupante. Apenas uma pequena indisposição.
Fernando:
- Mas quer que a leve a algum lado?
Cláudia:
- Claro que não. Logo, logo, já passou. Obrigado
Fernando:
- Bem...não faça cerimónias e se precisar...diga-me.
Thomáz:
- Cláudia, escuso de dizer que estou ao dispôr. Sabe isso, certo?
Cláudia:
- Obrigado Thomáz. Assim que começar a comer o rodízio, humm... logo sou outra.
Fernando:
- E não podia ser melhor. Aí vem ele.
Bem... o melhor é tirar o casaco e atirar-me a ele.
(Cláudia): Não nego que o cheirinho convida e a minha barriga, apesar de tudo, dá sinais de vazia.
Fernando:
- Thomáz... o aspecto, já lhe diz alguma coisa?
Thomáz:
- O aspecto e o cheiro.
Fernando:
- Cláudia, que diz?
Cláudia:
- Sim. Combina com a fome que sinto.
Fernando:
- Então... Bom apetite e vamos a isto.
Ah...Cláudia, mandei vir tintinho. Está bem para si?
Cláudia:
- Óptimo.
Thomáz:
- Maravilhoso.
Fernando:
- Não percebi Thomáz.
Thomáz:
- Estava a dizer que está maravilhoso.
Fernando:
- Eu não lhe disse que a nossa "Claudinha" brilhava nas escolhas.
Cláudia...então?
Cláudia:
- Está tudo bem. Caíu o garfo, peço já outro.
(Cláudia): "Claudinha"... ???
Fernando:
- Thomáz, embora não querendo falar de trabalho, neste momento, como está a reagir com o que já conhece?
Corte-me mais uma fatiazinha dessa, se faz favor.
Isso... está bom. Obrigado
Thomáz:
- Fernando, claro que numa manhã, muito pouco. Apenas me permite observar, para já, a estrutura física e "potencial" organização da empresa. Os vários departamentos, os colegas e suas funções. Preciso de mais tempo, claro, para começar a familiarizar-me com a empresa no seu todo.
Fernando:
- Sem dúvida, mas...a Claudinha? Está a deixá-lo tranquilo, quanto ao que queremos de si, ou são mais as dúvidas que... hummm, este rodízio está óptimo, não acham?
Estou é a vê-lo, a si e à Claudinha, com os copos vazios. Com licença, deixem-me dar cor aos vossos copos.
Cláudia:
- Fernandooo... chega, isso já é muito.
(Cláudia): "Claudinha", outra vez. Bom, mas é preferível só o "Claudinha", que depressa esquece, do que ir por aí fora com outras piores. Assim está bem...só trabalho.
Thomáz:
- De facto, está divinal.
Fernando:
- O quê? A Cláudia ou o almoço?
(Cláudia): Pronto... não se pode elogiar. Aí está o Fernando com as dele...
Thomáz:
- Olhe, pegando nas suas palavras... a Cláudia e o almoço.
(Cláudia): Outro...
Fernando:
- E se pedíssemos mais uma dose...ou duas?
Thomáz:
- Por mim, não podia estar melhor do que estou.
Cláudia:
- E para mim, já foi abusar.
Fernando:
- Eu também estou bem, mas se vocês alinhassem...eu não recusava mais um pouco. Ahh... mas agora a sobremesa e cá está mais uma coisa que deixo nas mãos da Cláudia. Humm...mais doce que ela será difícil encont... Então Cláudia, outra vez engasgada?
Cláudia:
- É...simm, desta vez engasguei.
(Cáudia): Era inevitável. Aí está o Fernando com as dele. Só gostava de saber porquê? Ele nunca se demonstrou assim comigo. Aí estão os suores...não sei se é do vinho ou o Fernando. Acho que vou à casa de banho.
Cláudia:
- Fernando, antes de irmos vou, rapidinho, ao wc.
Thomáz:
- Está mal disposta, Cláudia?
Cláudia:
- Não, não... é só para ir aliviada.
(Cláudia): Lavo a boca, refresco a cara...será que eu ando a exagerar, a valorizar demais as "babuseiras" do Fernando? Será para dar a entender ao Thomás, o seu ar brincalhão? E tu, pedrinha... não me dizes nada? Continuas com o teu brilho, o teu cheirinho, o teu encanto que me acalma, mas... não é isso que sinto. Aiii...Deixa-me ir.
Fernando:
- Sente-se bem, Cláudia?
Cláudia:
- Muito melhor, sem dúvida.
Fernando:
- Nota-se, na sua cor.
(Cláudia): Aiii... e tráz a sua mão ao meu queixo, virando a minha cara para o Thomáz. Que dor de barrigaaa...
Thomáz:
- Muito mais rosadinha. Então vamos?
(Cláudia): Uiii... querem ver que é já aqui que faço? Vá, Cláudia, massaja a barriga, tenta acalmar-te... Bem, vou aguentar e nem demoro mais.
Cláudia:
- Estou pronta.
(Cláudia): Chegámos. Agora é que vou à casa de banho.
Cláudia:
- Thomáz, vou só à casa de banho e quando vier, vamos ver os dois departamentos que faltam.
Thomáz:
- Certo. Ahh...não esconda. Noto que algo está a mexer consigo, só não quis dizer junto do Fernando.
Cláudia:
- A mexer comigo... como assim?
Já falamos. Eu não demoro.
(Cláudia): Mau... agora o Thomáz? Não, é apenas simpatia. Ele mal me conhece. Vá...vá... deixa de pensar Cláudia.
Thomáz:
- Então... melhor?
Cláudia:
- Sim. Vou só ver se tenho algum mail importante e seguimos. Não podemos abrandar.
Ai meu Deus... mas...
Thomáz:
- Cláudia?
(Cláudia): O que é isto??? Quem mexeu no meu PC? Ahh, alteraram o ambiente de trabalho ...




Não...não...não. Isto não é verdade... Quem és tu? E tu... pedrinha, diz-me... porquê? Quem é este "desconhecido", que me persegue?
Thomáz:
- Cláudia... algum problema?
.
(foto, arranjos e poema: sérgio figueiredo)

6 comentários:

sonho disse...

Talvez mais perto que ela possa pensar...:)
Beijo d'anjo

Iana disse...

Oh... mas que delicia...

Naveguei na sua escrita meu caro e fui até o fim... parabéns adoreiiii ;)

Deixo um montão de jinhos doces e com aquele perfume das rosas frescas

rosa amiga
Iana!!!

Canto da Boca disse...

A pergunta é: e o livro, publicas quando?

Um beijo grande e saudades!

;)

Sonhadora disse...

Meu querido
Eu também faço a pergunta: para quando um livro, adoro a tua maneira de escrever, prende do principio ao fim.

Beijinhos com carinho
Sonhadora

OutrosEncantos disse...

Lindo este cartão, a camélia e o poema..., tão perto e tão longe..., ou talvez nem tanto....

pobre Claudia..., criança sofre, né?!
com este desenrolar para ela lento, dos acontecimentos..., e se um já era muito, pois... dois passam a ser demais... lolll

a ver vamos como Cláudia se vai sair desta tremenda embrulhada... rss..., palpita-me que não lhe vai ser nada fácil... :-)))

Beijo, Sergio.

JB disse...

Sérgio,

A envolvência neste teu conto é tal que se torna impossível deixar de o ler e reler. Ainda há pouco li o primeiro episódio que foi onde me agarrei à pedrinha, aos sonhos, aos segredos, escondidos na areia dessa praia, condimentados em aromas e cores...

O conto galga emoções a cada momento que avança. Este poema nasce na raiz da tua criatividade e esgueira-se no PC não da Cláudia mas de nós que te lemos.

É delicioso! "É o querer tocar-te com a minha mão e a coragem a dizer-me... não" Consigo imaginar a força com que Cláudia deve ter apertado a pedrinha nesse preciso momento...

Fico à espera... até a coragem dizer... sim :)

Beijinho